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| Marilyn Monroe |
Sabem o que é um Déjà vu? Aquela sensação em que afirmamos
com toda a certeza já ter presenciado determinada experiência ou que nos
convencemos que conhecemos determinada pessoa apenas pelo primeiro olhar?
Bem, a história que tenho para contar é baseada num Déjà vu.
Tudo começou quando eu, entediado com a vida de estroina e
boémio que levo, decidi dar um passeio junto à praia, num belo e solarengo dia
de Verão, quando subitamente cruzei o meu olhar com uma bela mulher. Uma mulher
com um sorriso lindíssimo que transmitia uma alegria enorme pela vida e de uma
beleza fantástica acentuada pelo contraste com a paisagem preenchida pela pouca
luz do sol no final de tarde e pela subida da maré onde as ondas eram como uma
sinfonia perfeita que tocava no meu coração e onde o som das gaivotas era como
o solo de uma música indígena que me fazia antever o futuro brilhante que tinha
ao lado daquela desconhecida.
Sem uma única palavra aproximei-me e dei-lhe a mão. Ela olhou-me
e mexeu os lábios para dizer algo, até que eu disse: “Não digas nada, eu sei, também
senti o mesmo!”. Então, num movimento lento e calmo, aproximei-me dela e
ficamos envolvidos num beijo longo e profundo como se o mundo fosse terminar
dentro de momentos e todos os nossos sonhos suprimidos pela vontade do criador
e da natureza irada.
Era bom que a vida fosse como este cliché, não era? A
verdade é que isto é horrível e, todo este processo de adoração também.
Não existe como romantizar algo tão complexo, dramático e
complicado. É como descrever uma doença de uma forma fantástica, incrível,
magnífica e positiva. Apenas… não é possível.
Contudo, a verdade é que esse Déjà vu existiu… Mas, desta
vez, foi diferente.
As personagens são as mesmas, eu e essa bela mulher. Também
é verdade que quando cruzei os meus olhos com os dela consegui ver a sua alma e
personalidade completamente despidas. Senti que já a conhecia…. Que talvez
noutro tempo, noutro local, noutra cidade, teria amado essa mulher. Bastaram os
segundos em que a olhei para sentir que conseguiria pintar um quadro do seu
rosto e de todas as suas perfeitas imperfeições ao detalhe do mais exímio
pintor.
Quando lhe toquei ao de leve no ombro para lhe fazer uma
pergunta tão casual como o nome senti uma ligação e, por momentos a minha mão
ficou presa no seu ombro e parecia que, quanto mais tempo lhe tocava mais eram
as recordações que tinha dela. Obviamente que todas essas recordações eram
vazias, mas, não eram ocas. Pelo menos para mim, tinham algum significado.
Não irei entrar em detalhes científicos sobre esse tipo de
acontecimentos ou debater esse assunto. Apenas senti e não quero dar
justificações ou convencer-me que nada disso existe, porque, isso seria como
tirar a cor a uma casa que nunca foi pintada.
Claro que, como não estou a descrever ficção, esse momento
terminou.
Ela saiu, foi-se embora, mas aquele momento em que ela se
levantou e encostou a porta foi bastante simbólico. Quase como quando acordamos
lentamente de um sonho e, fechamos os olhos na esperança de voltar a essa
realidade até que, progressivamente, o sonho desvanece e com ele todo esse
espaço é engolido para um fosso enorme onde apenas irá figurar o vazio e uma
possível memória que se desintegra com o tempo.
Além disso, penso que nunca mais a irei ver e, também a
possibilidade de voltar a falar com ela é bastante remota.
Sou da opinião de que existem coisas na vida que não se
encontram ao nosso alcance e, que não basta querer. Não podemos quebrar regras
e seguir a nossa intuição quando isso implica consequências negativas para o
nosso meio.
Simplesmente, não basta.

Carlos!
ResponderEliminarUm texto maravilhoso, no qual me identifiquei. Chato essa vida que atrapalha nossas vontades.
Parabéns!
Beijos
Mirze
Há muito mais nesta vida do que imaginamos, ou mesmo sentimos. É distante, sombrio, a sensação é boa, porém desconhecida.
ResponderEliminarBoa noite, Carlos! Tudo bem?
ResponderEliminarTive mais essa sensação nos tempos de escola. Ao contrário de você, não ficou marcado uma pessoa em específico, mas o cenário, as falas. Às vezes, e isso ocorre até hoje, cabe em sonhos. E, também, como bem lembrado, as recordações não são ocas. Há algum significado. Não sei o porquê repetem. No entanto, a questão de concretização, foi muito bem defendida por ti.
No mais, sinto muito por ter demorado a visitá-lo. Estava sobrecarregada. Às vezes a vida pedi: “Acione o freio”.
Grande abraço, querido.
Juliana Carla
brailledalma.blogspot.com